Foto tirada em um almoço no restaurante El Paso, Asa Norte - Brasília.
A arquitetura instagramável se tornou quase um commodity, hoje se fala muito em criar ambientes feitos para as fotos nas redes sociais, ajudando assim a promover o espaço. Esse tipo de arquitetura funciona e pode ser uma estratégia interessante para qualquer um. Porém o que tenho visto no mercado é a busca pelo ambiente bonito sem entender o significado.

Estou sempre frequentando novos lugares, muitas cafeterias e restaurantes abriram e, apesar do ambiente instagramável, logo fecharam. Pude conhecer várias delas e vejo que muitas não alinharam o ambiente com a qualidade de atendimento e produto, apostaram todas as fichas em um espaço que serviu para atrair clientes novos e curiosos que nunca mais voltaram, mas a foto na rede social foi garantida.

A armadilha está na falta de conexão com a história do empreendimento, com a proposta, atendimento e modelo de serviço. Enquanto muitos fecham, restaurantes como El Paso em Brasília estão a anos com sua bela arquitetura cenográfica trazendo a força da cultura mexicana em seus elementos mais tradicionais. Minha mãe diz que se sente no México toda vez que vamos ao local.

O segredo está na coerência entre produto, atendimento, história e arquitetura. Pode ser instagramável, deve ser bonito, é necessário que seja durável. Uma arquitetura alinhada perdura por anos porque o simbolismo nunca morre.

Cenografia e arquitetura andam juntas e assim como no cinema onde cada elemento passa uma mensagem, precisamos pensar nos nossos ambientes. Minha vó dizia que "beleza não põe mesa", eu acredito que coloca mesa se estiver embalada de significado.

Em resumo, a arquitetura feita para as mídias não é a antagonista, ela é a deuteragonista dando protagonismo ao negócio e ao produto principal e construindo a base do legado. A pergunta é qual a mensagem que o seu filme quer passar para que o cenário seja palco desse roteiro.


Escrito por Mari Ferrera | Abril, 2026