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Como a percepção de segurança influencia no seu negócio

Estudando a temática e lendo alguns estudos sobre percepção de segurança entre homens e mulheres ao caminharem pelas cidades, percebi que isso pode ser muito mais importante para o seu negócio do que pensamos.

Começamos pelo contexto: um estudo feito na Brigham Young University mostra que, ao andar em ambientes físicos como passeios, ruas e edifícios, as mulheres olham mais para áreas periféricas do que para o caminho em si, ao contrário dos homens, que fazem exatamente o oposto. Esse estudo também revela que ambientes escuros e que geram sensação de aperto aumentam o medo.
(Fonte:
Gender-based heat map images of campus walking setting: a reflection of lived experience - Robert A. Chaney, 2024)

Outro estudo, feito na Alemanha, mostra que as mulheres sentem mais insegurança ao andar sozinhas à noite do que os homens e que ambientes menores, sem rotas de fuga e com iluminação ruim são considerados muito perigosos.
(Fonte:
Perceived danger in urban public space: the impacts of physical features and personal factors - Anke Blöbaum, 2005)

Cada um desses estudos mostra que a percepção de segurança é diferente para diferentes pessoas. E essa informação é relevante para o seu negócio, você precisa entender a necessidade do seu público, as inseguranças dele, para conseguir desenvolver uma arquitetura que passe uma percepção de segurança e deixe seu cliente mais tranquilo. 

Ou seja, não é suficiente ser seguro, afinal garantir a segurança de um cliente ou hóspede é uma prioridade, ninguém quer que situações perigosas ou acidentes aconteçam. Porém, isso pode não ser suficiente para o seu hóspede: é preciso parecer seguro. 

Segurança e percepção de segurança são conceitos diferentes. A forma como as pessoas se sentem no espaço garante conforto, relaxamento, conexão e experiência. E a percepção de segurança varia de indivíduo para indivíduo; por isso, você precisa entender e estudar seu público para definir diretrizes a serem seguidas.

Para ilustrar melhor, irei contar um caso pessoal: a primeira vez que viajei sozinha, fizeram o terror na minha cabeça. Me mostraram vídeos e notícias de vários casos que aconteceram, com o intuito de me alertar para que eu me protegesse. Recomendaram um perfil de uma mulher que ensinava a usar trancas nas portas de hotéis, verificar se havia câmeras escondidas e tomar cuidado ao entrar no quarto (só para deixar claro: sei que alguns cuidados são necessários).

Acabei comprando uma trava de porta, que esqueci de levar na viagem. Me dei conta disso antes de chegar ao hotel e fiquei muito preocupada com como faria para travar a porta. Chegando ao hotel, havia uma trava na porta, aquilo me deu segurança. Lembro que fiquei muito aliviada, e isso não prejudicou a minha experiência no local.

Imagine sua cliente indo dormir todos os dias com medo de algo. Por mais que você saiba que seu negócio é seguro, estamos falando da sensação de segurança que a pessoa sente.

Outro exemplo pessoal que posso dar foi quando fiquei em um hotel cuja janela do quarto dava para uma área técnica, onde havia uma escada comum vindo de um espaço desconhecido, que levava até essa área. Eu não abri sequer a cortina nos dias em que passei lá, pois não me sentia segura. Por mais que o hotel não permitisse qualquer serviço acontecendo ali sem aviso prévio, a sensação era de desconforto.

Aqui dei exemplos sobre segurança feminina a partir do contexto que vivi. Mas podemos pensar em outros exemplos: um estudo mostra que formas pontiagudas ativam a amígdala cerebral, responsável por emitir sinais de alerta e perigo para o cérebro. Imagine você com seu filho pequeno andando entre mesas de um restaurante com quinas vivas — desconfortável, né?
(Fonte:
Visual elements of subjective preference modulate amygdala activation - Bar & Neta, 2007)

O fato é que a arquitetura é uma grande (se não a maior) aliada quando falamos de percepção de segurança. A arquitetura provoca emoções, percepções e comportamentos. Ela ativa e desativa áreas do cérebro de forma inconsciente; portanto, é importante conhecer o público-alvo, seus desejos, suas inseguranças e suas necessidades para realmente servi-los.

Afinal, hospitalidade é servir. E, a partir disso, deve-se definir uma arquitetura que condiga com a empresa, sua história, seus valores e que atenda ao seu público.

Uma arquitetura que permite que seu cliente relaxe e aproveite a experiência de forma genuína é essencial e faz com que seu negócio faça parte da história dessas pessoas. Lembre-se: as pessoas sentem e vivem os espaços, não apenas os observam.


Escrito por: Mari Ferrera | Março 30, 2026