Projeto Hotel Design: Mari Ferrera Arquitetura
O QUE É A NEUROARQUITETURA

A neurociência aplicada à arquitetura é uma área de estudo conhecida como neuroarquitetura. Não é uma novidade, quando olhamos para alguns conhecimentos milenares, vemos que a relação entre ambiente e a forma que levamos a vida, já estava presente. É o caso do Feng Shui, que se trata de um conhecimento milenar chinês que busca a organização espacial dos ambientes para otimizar o fluxo de energia vital (chí), promovendo o equilíbrio, a saúde e a prosperidade por meio da harmonia com a natureza.

O fato é que, seguindo ou não alguma sabedoria milenar, as pessoas sentem a influência dos ambientes e olhando para isso, a ciência começou a investigar.

Os estudos científicos antigos, que buscavam investigar como os ambientes nos influenciavam, eram mais observacionais. Um exemplo que gosto de citar e se tornou um clássico é o de Roger Ulrich que em 1984 comparou dois grupos de pacientes que haviam passado pela mesma cirurgia em um hospital. Um grupo estava em quartos com vista para uma parede de tijolos, o segundo grupo estava em quartos com vista para natureza. Ele observou que o segundo grupo se recuperou mais rápido com menos analgésicos, menos complicações pós-operatórias e menos queixas em comparação ao primeiro grupo.

Com o avanço da ciência, vieram tecnologias capazes de medir a condutância da pele, batimento cardíaco, funcionamento cerebral, entre outras medidas fisiológicas. E seja nos estudos antigos ou atuais, a influência dos ambientes na nossa percepção, comportamento, saúde física e mental, está presente. Os espaços influenciam o tempo todo, não existe lugar neutro, ou é positivo ou é negativo. Percebemos o mundo com o corpo inteiro, a percepção é sensorial.

A construção intencional do ambiente

Dentro de negócios complexos como os de hospitalidade, eu preciso pensar no colaborador que tem sua saúde, produtividade e motivação afetadas pelo ambiente. Preciso pensar no cliente, onde o ambiente influencia no comportamento, gera percepção, conecta e fideliza. Preciso pensar na fluidez dos espaços, na praticidade e rotina diária, na manutenção. São muitas variáveis e a arquitetura com base científica se torna essencial nesse contexto. 

Só para reforçar, a neuroarquitetura não é uma tendência ou uma estética, por mais que alguns a tratem assim. A neuroarquitetura utiliza método e se encaixa em referências estéticas distintas. É através desse método que sabemos onde alocar corretamente os recursos e conseguimos medir métricas entendendo o impacto dos ambientes.

Olhamos para a arquitetura através de 4 dimensões: Funcionalidade, estética, história e significado e impacto biológico e emocional. Ao analisar todas as dimensões, criamos ambientes que atuam estrategicamente e promovem bem-estar a quem os utiliza.

OLHE PARA AS PESSOAS

O meu lema é “arquitetura é feita para pessoas”. Estudamos o comportamento das pessoas, a influencia dos ambientes nas pessoas e quando falamos de hospitalidade, estamos falando em receber e servir as pessoas. Portanto uma boa arquitetura precisa olhar para cada um que irá vivenciar aquele espaço e atender as suas demandas físicas e psicológicas.

A arquitetura pode ajudar a construir o legado do negócio desde que olhemos para ela da forma certa, considerando seu impacto.



Escrito por: Mari Ferrera | Fev 12, 2026