Imagem de banco de imagens próprio
O tempo se tornou luxo, o wellness virou discurso. As pessoas parecem procurar desacelerar e desconectar em um mundo onde todos estão mais conectados do que nunca. Hotéis são verdadeiros oásis e restaurantes buscam promover experiências mais reais.
Agora a recita mágica é criar ambientes zen, conectados com a natureza e até com uma pegada de ecoturismo se puder. É proibir os celulares para que todos vivam o momento.
Tudo isso é maravilhoso mas até onde esse é o wellness que o público busca? Afinal, existem muitas formas de promover bem-estar.
Sempre gostei de natureza, passeios em cavernas, acampamentos e cachoeiras, é uma herança de família. As viagens de aventura e conexão com a natureza estão mais populares, lugares com facilidade de acesso estão ficando cheios.
O interessante é ver muitas pessoas que chegam até o ponto mais próximo de carro, colocam os pés na água da cachoeira, tiram a foto do ano e nem sequer dão um mergulho. E a tal conexão com a natureza?
Conversei com colegas do ecoturismo e a resposta foi: "Oferecemos diferentes pacotes para diferentes perfis e o perfil que mais nos dá retorno é a pessoa que mal olha para a paisagem, garante a foto e sai feliz". Esse público está ali pela pose na rede social, essa estratégia não fideliza.
O wellness virou tendência, e como tudo que é tendência passa. Até porque tendências são reflexos de um momento da sociedade, como já falei por aqui.
É verdade que buscamos desacelerar nessa sociedade cheia de estímulos e informações. É um movimento legítimo mas como qualquer tendência sempre tem alguém que só acha aquilo bonito e quer mostrar que está na moda, sem entender o significado.
Provável que essa não é a "desconexão real" que procuram. Apesar da natureza fazer muito bem e recomendar a todos que se permitam a isso, muitas vezes o bem-estar pode ser garantido em uma arquitetura inteligente, com sensorial apurado que molde percepção, experiência e comportamento.
É fato que todos querem se sentir bem mas criar uma roupagem zen não é a solução para todos, mas é isso que tem virado o mercado do bem-estar.
Se você tem um hotel com foco no público corporativo, por exemplo, você precisa que esse público se sinta bem e relaxado para ter um bom descanso, mas também precisa garantir um espaço para trabalho conectado que estimule fechamento de contratos e produtividade.
Precisamos ter cuidado ao incorporar uma tendência, no fundo continua sendo um museu de grandes novidades, é preciso entender seu contexto. O público continua sendo o mais importante, cada ambiente tem que ser desenhado para sua função causando a emoção certa no espaço certo.
Não é sobre fazer mais negócios que parecem spas em meio a natureza, a menos que essa seja a sua identidade, é sobre entender as necessidades que cada momento exige e promover a conexão com o mundo real de forma genuína.
Escrito por Mari Ferrera | Jun 16, 2026